Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

sábado, 27 de dezembro de 2014

SONETO DE ARVERS — Alphonsus de Guimaraens

O seu mistério tem minh'alma desgraçada:
Um sempiterno amor, nascido num momento;
É sem esp'rança o mal, calá-lo em mim eu tento,
E aquela que o causou inda não sabe nada.

Eu tenho já passado ao pé da minha amada,
Nunca vi seu olhar formoso em mim atento...
Sem nada receber e nem ousar, eu, lento,
Na terra viverei co'a alma desolada.

E a diva, a quem Deus fez suave e enternecida,
Irá pelo caminho andando, distraída,
E este arrulho de amor ela não ouvirá.

Fiel ao seu dever, a minha amante bela
Dirá, lendo o soneto inspirado por ela:
— Esta mulher quem é? — e nada saberá.

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