Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

quinta-feira, 5 de março de 2015

EU TE AMO — Paul Éluard

Eu te amo por todas as mulheres
Que não conheci
Eu te amo por todo o tempo
Em que não vivi
Pelo odor da amplidão
E o odor do pão quente
Pela neve que se funde
Pelas primeiras flores
Pelos animais puros
Que o homem não amedronta
Eu te amo por amar
Eu te amo por todas as mulheres
Que eu não amo

Ninguém me reflete só tu mesma
Eu me vejo tão pouco
Sem ti eu não vejo nada
Além de uma extensão deserta
Entre antes e hoje
Houve todos esses mortos
Que ultrapassei
Na palha
Eu não pude penetrar
A parede de meu espelho
Eu precisei aprender
Palavra por palavra a vida
Como quem se esquece

Eu te amo por tua sabedoria
Que não é a minha
Pela saúde eu te amo
Contra tudo que é só ilusão
Por este coração imortal
Que eu não interrompo
Que tu crês que é a dúvida
E tu és toda razão
Tu és o grande sol
Que eu ergo à cabeça
Quando estou seguro de mim
Quando estou seguro de mim

Tu és o grande sol
Que eu ergo à cabeça
Quando estou seguro de mim
Quando estou seguro de mim