Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O RUÍDO DAS VAGAS — Pierre Reverdy

O RUÍDO DAS VAGAS

Todas as ondas das marinhas da parede poderiam fluir nos pratos, com o alvaiade espumante das vagas.

O fundo permaneceria sempre azul, por trás do sol muito brilhante da moldura.

Na casa, bastante calma num tempo assim, cada um se virou para saber de onde vinha este ruído, este movimento.

Pois ninguém sabia do segredo, exceto aquele cujo olho inquieto não deixava mais o quadrado branco da janela e, nas cortinas levantadas por seu peito comovido, aquele que não tinha vindo senão para ver e não ser visto.

Pierre Reverdy, in Estrelas Pintadas, 1921.

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