O VENENO (AS FLORES DO MAL)
Veste o vinho a mais sórdida palhoça
De um luxo milagroso:
E no oiro de um vapor rubro, que engrossa,
Faz surgir mais de um pórtico, que roça,
Como um sol, que descamba, um céu nevoso.
Dilata o ópio o ciclo do impossível:
Alonga o ilimitado;
Afunda o tempo, e o gozo inexcedível;
E de um morno prazer, negro, terrível
A alma encharca, inda além do que lhe é dado
E nada disto vale o tóxico horrendo,
Que teus olhos destilam,
Lago amargo, em que cai a alma tremendo:
Abismo, em que meus sonhos, que cintilam,
Como em verde lagoa, estão bebendo.
Não vale nada a baba de tua boca,
Que tem prodígio enorme:
Aí sem pena uma alma se sufoca:
Aí no olvido esmaia, e inerme toca;
E a morte acha-a na lama, em que ela dorme...
Tradução de Luiz Delfino.
Veste o vinho a mais sórdida palhoça
De um luxo milagroso:
E no oiro de um vapor rubro, que engrossa,
Faz surgir mais de um pórtico, que roça,
Como um sol, que descamba, um céu nevoso.
Dilata o ópio o ciclo do impossível:
Alonga o ilimitado;
Afunda o tempo, e o gozo inexcedível;
E de um morno prazer, negro, terrível
A alma encharca, inda além do que lhe é dado
E nada disto vale o tóxico horrendo,
Que teus olhos destilam,
Lago amargo, em que cai a alma tremendo:
Abismo, em que meus sonhos, que cintilam,
Como em verde lagoa, estão bebendo.
Não vale nada a baba de tua boca,
Que tem prodígio enorme:
Aí sem pena uma alma se sufoca:
Aí no olvido esmaia, e inerme toca;
E a morte acha-a na lama, em que ela dorme...
Tradução de Luiz Delfino.
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