Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

domingo, 7 de dezembro de 2014

LEI DO POEMA — Julio Cortázar

Amargo preço do poema,
as nove sílabas do verso;
uma de mais ou uma de menos
alçam-no ao ar ou o condenam.

Somos o xadrez de um rio,
o naipe sempre entre dois lumes;
caem as caras e as cruzes*
a cada curva do caminho.

Cai no verso a palavra,
na lembrança chove o pranto,
cai a noite, cai o pássaro,
tudo é queda amortecida.

Oh! liberdade de não ser livre,
lance de dados que desata
a sigilosa teia de aranha
de encruzilhadas e limites!

Como tua boca na maçã,
como minhas mãos em teus seios,
irá a mariposa ao fogo
para dançar sua última dança.

* caras e cruzes — corresponde ao jogo de cara e coroa.

Uma tradução em prosa, apenas imitando as linhas dos versos originais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário