Há crimes de paixão e crimes de lógica. A fronteira que os separa é incerta. Mas o código penal distingue um do outro, bastante comodamente, pela premeditação. Estamos na época da premeditação e do crime perfeito. Nossos criminosos não são mais aquelas crianças desarmadas que invocavam a desculpa do amor. São, ao contrário, adultos, e seu álibi é irrefutável: é a filosofia que pode servir para tudo, até mesmo para transformar assassinos em juízes.
Albert Camus, O Homem Revoltado, Introdução
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