Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SÓ É MEU O PAÍS QUE SE ENCONTRA EM MINHA ALMA — Marc Chagall

Só é meu o país que se encontra em minha alma
Aí entro sem passaporte, como em minha casa
Ele vê minha tristeza, e minha solidão, ele me adormece
E me cobre com uma pedra perfumada
Em mim florescem os jardins, minhas flores são inventadas
As ruas me pertencem, mas nelas não há casas
Elas foram destruídas desde a infância
Os habitantes vagabundeiam no ar à procura de um lar
Eles habitam em minha alma
Eis porque sorrio, quando meu sol quase não brilha
Ou choro como uma chuvinha na noite
Houve um tempo em que eu tinha duas cabeças
Houve um tempo em que eu tinha dois rostos
Que se cobriam de um orvalho amoroso
E se fundiam como o perfume de uma rosa
Agora parece que mesmo quando recuo
Sigo avante em direção a um alto portal
Atrás do qual se estendem muros
Onde dormem trovões extintos e relâmpagos quebrados
Só é meu o país que se encontra em minha alma

Nenhum comentário:

Postar um comentário