Je ne fay rien sans gayeté

Eu não faço nada sem alegria

Montaigne, Les Essais - Livre II, Chapitre 10.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FORMOSA, QUAL PINCEL EM TELA FINA — Maciel Monteiro


Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pôde, ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera a rosa purpurina...

Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual no céu jamais brilhara
Astro gentil, estrela peregrina;

Formosa, qual se a natureza, e a arte,
Dando as mãos em seus dons e em seus lavores,
Jamais pôde imitar no todo ou parte;

Mulher celeste, ó anjo de primores!
Quem pôde ver-te, sem querer amar-te?
Quem pôde amar-te, sem morrer de amores?!

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