... lembre-se de que erros e enganos, embora grosseiros, em assuntos de opinião, se são sinceros, devem ser lastimados, mas não castigados nem ridicularizados. A cegueira do entendimento deve ser tão lastimada como a cegueira do olho; e não há nem ridículo nem culpa num homem que perde o rumo em qualquer desses casos. A caridade nos incita a orientá-lo se pudermos, por argumentos e persuasões; mas a caridade, ao mesmo tempo, proíbe castigar ou ridicularizar seu infortúnio. A razão de cada homem é, e deve ser, o seu guia; e eu tanto posso esperar que todo homem seja de meu tamanho e aparência, como esperar que raciocine da minha mesma maneira. Todo homem busca a verdade; mas só Deus sabe quem a encontrou. É, portanto, tão injusto perseguir, como é absurdo ridicularizar, pessoas pelas diversas opiniões, que não podem evitar de manter na convicção de sua razão. É o homem que diz, ou que pratica uma mentira, que é culpado, e não aquele que, honestamente e sinceramente, acredita na mentira. Eu realmente não conheço nada mais criminoso, mais baixo, e mais ridículo, do que a mentira. É produto da malícia, covardia, ou vaidade; e geralmente erra o alvo em qualquer destes aspectos; porque cedo ou tarde as mentiras sempre são descobertas.
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